Daniel Maicá 
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A HISTÓRIA DO BOBO DA CORTE
A HISTÓRIA DO BOBO DA CORTE

 

Bobo da cortebufãobufo ou simplesmente bobo é o nome pelo qual era chamado o "funcionário" da monarquia encarregado de entreter o reis e rainha e fazê-los rirem. Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos.

Bufão é um tipo característico do grotesco. Existe desde a antiguidade, estando presente na corte, no teatro popular, sendo cômico e considerado desagradável por apontar de forma grotesca os vícios e as características da sociedade. O corpo do bufão caracteriza-se pela deformidade e o exagero, sendo o excesso uma de suas principais caracteristicas. Também apontado como Arlequim, Faustaff ou Bobo da corte.

O bobo teve origem no Império Bizantino. No fim das Cruzadas, tornou-se figura comum nas cortes européias, e seu desaparecimento ocorreu durante o século XVII. Vestia uniformes espalhafatosos, com muitas cores e chapéus bizarros com guizos amarrados. Inspirou a 13ª carta do baralho e, nos dias atuais, o famoso vilão, arquiinimigo do Batman.

Breve histórico

O bobo da corte divertia o rei e os áulicos. Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e era o cerimoniário das festas. De maneira geral era inteligente, atrevido e sagaz. Dizia o que o povo gostaria de dizer ao rei e zombava da corte. Com ironia mostrava as duas faces da realidade, revelando as discordâncias íntimas e expondo as ambições do Rei. Em geral, era um indivíduo de grotesca figura - corcunda ou anão.

Houve na história, casos de bobos da corte que se envolveram com integrantes da família real. E em apenas um caso acabou em tragédia, no século XVI na Espanha, quando o bobo da corte foi assassinado depois de se envolver com a princesa.

Bobos célebres

Nas cortes espanholas, os bufões eram honrados e muito influentes. Felipe II andava acompanhado por vários bufões.

O pintor António Moro pintou "Pejeron", truão favorito do conde de BenaventeCristóbal de Pernia era o bobo mais afamado no tempo do reiFelipe IV (Felipe III em Portugal). Em torno de 1630Diego Rodriguez de Silva e Velásquez pintou o "O Bufão Calabacillas".

O bobo é personagem recorrente nas peças de Shakespeare - a exemplo de Otelo e Rei Lear. O bobo é também o personagem que dá nome à ópera Rigoletto de Verdi.

Origem esotérica do bobo da corte

 

Quem já não assistiu a algum filme ou desenho animado mostrando aquele personagem engraçado, vestindo roupa nas cores vermelha e azul, com três sininhos na cabeça? Quem não o identificaria como o bobo da corte? Este personagem foi muito ativo nas cortes europeias medievais. Fazia a nobreza rir, divertir-se durante os banquetes. Contava piadas, fazia mímicas, imitações, tudo para entreter o nobre público.

Porém, há algo de esotérico nesse personagem bizarro? Qual sua origem, em que se baseiam suas traquinagens? Há algo de esotérico, de simbólico nele? A sabedoria gnóstica explica isso maravilhosamente.

O bobo da corte tem uma origem dentro da sabedoria súfi. Os mestres súfis, ao acompanhar os movimentos islâmicos na Ibéria e também nas épocas conturbadas das Cruzadas, trouxeram várias tradições esotéricas que se incorporaram ao folclore europeu.

Vemos por exemplo as danças rodopiantes na Escócia, as Valsas, a tradição dos Trovadores (palavra que significa Buscador, ou seja, aqueles que ensinavam a Sabedoria Superior por meio da música e dos contos-de-fada de feudo em feudo, de castelo em castelo), e também o bobo da corte.

O bobo da corte – representado no baralho como o Curinga, o que pode alterar o jogo radicalmente – tinha como função imitar as atitudes e os gestos (corporais, faciais etc.) de todos, contava histórias que não tinham “nem pé nem cabeça”, porém seu significado oculto era sempre o de fazer com que todos refletissem. Refletir sobre o quê? Sobre a incongruência, a subjetividade, do ser humano.

Suas atitudes dúbias, conflitivas, que numa hora o levam a uma direção, noutra o conduzem a uma direção totalmente diferente, muitas vezes até em sentido contrário. Essa é a finalidade essencial, primitiva, dos Ensinamentos do bobo da corte. Levar uma sabedoria psicológica por meio do riso, das alegorias subjetivas, das pantomimas, do hilário.

Que tal despertarmos nosso bobo da corte interior? Ou seja, despertar aquela faculdade da Consciência que vigia as manifestações do Ego? Que não permite que desenvolvamos o defeito da auto-importância, da auto-consideração, do amor-próprio??? Claro, sem perdermos o sentido cósmico do autorrespeito!

O bobo é um personagem comum e recorrente, por exemplo, nas peças de William Shakespeare. Geralmente, o Bobo shakespeariano é um personagem aparentemente ingênuo e inconsequente, de língua afiada, que serve para insultar e fazer comentários ásperos e irônicos sobre as atitudes e posturas dos demais personagens. Na maioria das peças em que aparece, esse personagem mantém-se à margem da trama, falando diretamente à plateia.

O bobo da corte era uma figura real comum na época de Shakespeare. A rainha Elizabeth, por exemplo, costumava mantê-los em sua corte. Usado tanto nas comédias quanto nas tragédias, os bobos mais relevantes de Shakespeare são o da corte do Rei Lear (que funciona como um alter-ego, um espelho, do próprio Lear), o bobo profissional de Timão de Atenas (em torno do qual se desenvolve uma espécie de subtrama).

Muitas pessoas, a maioria de nós infelizmente, ri dos bobos da corte, sem compreender que estão rindo de si mesmas. As situações ridículas e incongruentes são delas mesmas. E o bobo da corte queria, na verdade, que esse público compreendesse que nós é que somos os bobos, que nossa vida é cheia de esquisitices, de multiplicidades psicológicas, de diabruras mentais, de conflitos. Se essa situação não fosse lamentável, deveríamos rir de nós mesmos.

Vemos essa mesma situação de ensinamento esotérico, psicológico, nas obras do grande mestre William Shakespeare. Suas peças são de fundo didático. Ali vemos os conflitos, as desgraças, os desequilíbrios, as fatalidades a que somos levados em nossas pobres vidas de gente inconsciente e hipnotizada. Assim como os bobos da corte, Shakespeare nos faz ver a nós mesmos em cada personagem de sua vasta e maravilhosa obra.

Ah, um lembrete: a palavra Shakespeare é uma corruptela de duas palavras iniciáticas do Sufismo: “Sheik” e “Pyr”, Mestre e Guia. Shakespeare é a encarnação do grande Mestre da Luz conhecido por todos como Conde de Saint Germain.

Um exemplo clássico da linguagem simbólica do auto-desprezo e da ridicularização do próprio Ego são os ensinamentos do grande mestre súfi Nasruddin. Há controvérsias sobre se ele realmente existiu ou não. Muitos pesquisadores dizem que ele foi na verdade um personagem criado para centralizar os ensinamentos psicológicos de muitos mestres súfis.

Mas, isso não importa. O que vale é que recomendamos ao leitor buscar os livros do mestre Nasruddin e beber dessa fonte límpida. Claro que muitas histórias não deixam de ser engraçadas. Vale a pena rir um pouco, vale a pena rir de nós mesmos. Em seguida, damos um exemplo de duas história contadas pelo mestre Nasruddin. Ria e reflita.

SOPA DE PATO 

Certo dia, um camponês foi visitar Nasruddin, atraído pela grande fama deste sábio e desejoso de ver de perto o homem mais ilustre do país. Levou como presente um magnífico pato. O mestre, muito honrado, convidou este homem a jantar com ele e a pernoitar em sua casa. Comeram uma saborosa sopa preparada com o pato. Na manhã seguinte, regressou a seu lar, feliz de haver passado algumas horas com um personagem tão importante.

Alguns dias mais tarde, os filhos deste camponês foram à cidade e de regresso passaram pela casa de Nasruddin. Somos os filhos daquele camponês que lhe presenteou um pato, disseram. Foram recebidos e convidados a comer sopa de pato.

Uns dias depois, dois jovens bateram à porta do mestre. Quem são vocês, o que querem? Somos os vizinhos do homem que lhe presenteou um pato. O mestre começou a lamentar ter aceito aquele pato. Sem embargo, fez cara de satisfeito e convidou seus hóspedes a comer. Adivinhem o quê???

Aos oito dias, uma família completa pediu hospitalidade a Nasruddin. E você, quem são? Somos os vizinhos dos vizinhos do homem que lhe presenteou um pato. Então, o mestre fez como se tivesse ficado contente e os convidou a comer. Ao cabo de uns instantes, apareceu com uma enorme sopeira cheia de água quente e encheu cuidadosamente os pratos de seus convidados. Logo depois de provar o líquido, um deles exclamou: Mas… o que é isto, nobre senhor? Por Alá, nunca vimos uma sopa tão aguada assim!!! Nasruddin se limitou a responder: Esta é a sopa da sopa da sopa de pato que com prazer lhes ofereço, os vizinhos dos vizinhos dos vizinhos do homem que me deu aquele pato.

(Moral da história: Em um momento dado, existe uma verdade. Em seguida, todos a querem conhecer, porém, recebem a versão da versão da versão da verdade. No fundo, nada podem aprender dela. Certas verdades são a sopa na qual já não há nem sombra do pato. Claro que cada um de nós poderá apreender algo dessa situação, um ensinamento diferente para cada um de nós.)

O GRAMÁTICO 

Mulá Nasruddin consiguiu trabalho de barqueiro. Certo dia, transportando um gramático, este homem lhe pergunta: O senhor conhece gramática? Não, em absoluto nada!, responde com firmeza Nasruddin. Bem, permita-me dizer que você perdeu metade da sua vida!, replica com desdém o erudito.

Pouco depois, o vento começa a soprar e a barca fica a ponto de ser tragada pelas ondas. Justo antes de ir a pique, o Mulá pergunta ao passageiro: Sabe nadar? Não!, contesta, aterrorizado o gramático. Bom, permita-me dizer-lhe que você perdeu toda a sua vida!

(Moral da história : É necessário instruir-se? Sim, é importante fazê-lo, porém há que se indagar para que serve o conhecimento adquirido e saber nos desfazer do que é inútil. De que servem todas as teorias sobre sexualidade, o amor, o bem, a oração…, se jamais as aplicou? É como ocultar-se por trás desse saber para no fazer nada.)

DICAS DE UM BOM BOBO DA CORTE

1. Saiba falar quando deve falar e calar-se quando deve se calar. Palavras sem compromisso não têm valor; palavras não sustentadas por ações acabam provocando cinismo e desespero.
2. Observe o que se passa por trás de suas próprias palavras. Estão carregadas de ironias, sarcasmos, complexos, ressentimentos, ou outras segundas intenções?
3. Sua postura física. Como ela está agora? Você está se parecendo com um general montado sobre seu cavalo ou com um porco preguiçoso?
4. E seu rosto então? Como está a harmonia de suas expressões faciais?
5. Observe como você se aproxima das pessoas e dos projetos, e anote em um diário como você pensa.
6. Esteja disposto a reavaliar os desafios passados e a aprender com eles. Faça uma retrospectica de suas próprias falhas, sejam elas de conduta, de caráter, de saúde etc. Observe como suas reações às mais diversas situações da vida foram, no mínimo, hilárias. Lembre-se de quando você se ofendeu por “aquelas coisas importantes”.
7. Você se regozija nos momentos difíceis da vida? Por estranho que pareça, ele é sinal da disponibilidade de energia para transformar seu caráter. Os momentos duros são a maneira que a natureza tem de indicar uma atitude ou comportamento errado e, para a pessoa que não é egocêntrica, cada momento de dor é uma oportunidade para crescer.
8. Em vez de buscar cegamente, egocentricamente, a perfeição, lute pela excelência em tudo o que fizer. Basta ser uma pessoa atenciosa. A vida é uma jornada. O sucesso é um processo, não o pedestal. Lembre-se que o mundo é Maya, é ilusão.
9. Desfrute do privilégio de fazer o bem. Não ajude olhando para os lados e procurando uma plateia. Não reze em praça pública. Não diga eu, eu, eu. Faça mais do que falar. O mundo precisa do seu amor, não do seu discurso.
10. Ah, e finalmente. O mundo é sério, mas não se contagie tanto com ele. Nosso mundo, nosso lar, não é este aqui. Saiba dar importância ao que verdadeira e eternamente é importante, essencial e Real!

FONTE: WIKIPÉDIA E GNOSIS ONLINE

Daniel Maicá: Funcionário público, acadêmico de Bacharelado em Administração de Empresas, radialista colaborador da rádio comunitária cidade fm( programa Romance em Sintonia, aos domingos apartir das 20h),formado no  Curso Normal,palhaço e pesquisador da arte do clown com cursos de teatro e cinema.  




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